Consumo consciente e o modelo de produção contemporâneo (O que não vemos nas vitrines nº 1)

February 7, 2019

Enquanto nos deleitamos em liquidações e consumimos fast-fashion, em Bangladesh trabalhadores fazem greve por melhores salários e condições de vida. Entenda porque isso é sim problema seu.

 

No ano de 2018, Bangladesh exportou mais de 30 bilhões de dólares em roupas. Hoje o país ocupa o segundo lugar na industria têxtil do mundo, apenas atrás da nossa amiga China. E até 2023, pretende expandir sua exportação para 50 bilhões e, ao mesmo tempo, tornar-se um país em desenvolvimento. Só que desde janeiro de 2019 milhares de trabalhadores da indústria têxtil protestam pelo recebimento e reajuste do salário mínimo. Trabalhadores em greve foram alvo dos seguranças das fábricas e no último mês mais de 50 pessoas foram feridas e uma morreu.

 

 

Entendendo melhor a segunda indústria têxtil do mundo

 

Em setembro de 2018 foi anunciado o aumento do salário mínimo de 5.300 Taka ($63) para 8.000 Taka ($96), apesar dos sindicatos lutarem para que o salário mínimo alcançasse 16.000 Taka ($192) - Você não está lendo errado, um Taka equivale a 0,044 Reais mesmo. E o que rolou no início desse ano foi que muitos trabalhadores não receberam o tal aumento. É que eles recebem um salário variável, relativo a sua produtividade e, também, às metas das fábricas. Então mesmo com o salário mínimo reajustado, esse valor pode virar um teto salarial… Some a isso o fato de que o último aumento data de 2013. Coincidentemente no mesmo ano do maior acidente (relatado) da indústria têxtil, o desabamento do Rana Plaza. 

 

Vamos fazer uma conta aqui: Em uma hora uma costureira prega em média 80 bolsos. Então, se ela trabalha 8 horas por dia (!), precisa pregar uns 15 mil bolsos por mês para receber o teto do salário, incluindo todos os bônus… Nesse caso: 8.000 TAKA. Esse número final de bolsos/mês é estimado. Mas foi a conta que eu fiz para entender o pagamento. São 80 bolsos por hora, vezes 8 horas no dia, vezes 20 dias no mês, vezes um incremento de produtividade (que usei 1.25). Entendeu que se ela pregar apenas os 80 bolsos por hora numa constante (12.800 bolsos/mês) ela não vai receber os 8.000 Taka mensais? Se você não tá acreditando tem uma historinha aqui

 

 

A mão-de-obra suada e o consumo fast-fashion

 

Em uma economia que cresce, o custo de vida também aumenta e, nesse caso, os salários não acompanhavam tal aumento, desde 2013. E sabia que a maior parte da mão de obra nas fábricas de roupas é composta por mulheres? Porém, um emprego no setor representa a elas a oportunidade de escapar de um casamento precoce, da violência doméstica, de ter voz ativa na sociedade e contribui para a auto-estima. Essas mulheres se sustentam, ainda que mal, e são independentes financeiramente. Ainda dá pra imaginar que as condições de trabalho não são seguras e que os direitos trabalhistas das mulheres estão longe de ser observados, hora extra é obrigatória e benefícios como licença maternidade praticamente não existem. O negócio é serio, tem até um report da WAR ON WANT sobre a exploração que essas mulheres sofrem.

 

Consumir, consumir, consumir... Vamos acordar manas!

 

Isso não acontece apenas lá, viu!? Aqui também rola um cenário parecidíssimo. Sabemos que a regulamentação do segmento têxtil é necessária, assim como o comprometimento das fábricas e uma consequente fiscalização governamental eficaz. Mas devemos exercer nosso papel, ou o papel de nossas carteiras. Quando você comprou seu último jeans? Foi baratinho? Pra alguém foi caro, bem caro. 

 

É deixando muito claro com o que concordamos ou não - nesse caso através de suas escolhas de consumo - que mandamos nossa mensagem para o topo da cadeia. Se menos gente comprar, vai começar a sobrar. E essa produção toda precisará ser revista. Bora valorizar TODAS as etapas do processo de produção? Tem meio ambiente, mundo e gente, muita gente, nessa jogada!

 

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