Personalidades femininas competitivas

May 6, 2019

Eu gosto de achar que não sou competitiva. Gosto, porque a verdade não é bem essa. Às vezes, me deparo com situações que simplesmente me jogam na cara o: “Essa é você”! Como no final de semana passado, em que meu sobrinho Ursinho fez 3 anos. 

 

Uma não tão rápida digressão pra você entender o panorama competitivo dessa história

 

A casa do Ursinho é, digamos, privilegiada do ponto de vista gastronômico. Meu cunhado cozinha muitíssimo bem, planta frutas silvestres orgânicas, é maníaco por técnicas de fermentação e preservação de alimentos. Ultimamente, tem se dedicado à arte da confeitaria e faz bolos dignos de Pinterest. Só que comestíveis e super saborosos! O irmão do Ursinho, meu Marginal Favorito, tem aos 6 anos de idade, o melhor paladar que eu conheço. Ele consegue dizer todos os temperos usados em um prato e ainda discute sobre o ponto de cada alimento, o que devia ter cozinhado mais ou menos… 

 

Competição x praticidade

 

Voltando pra minha história… Já eu, sou adepta do menos trabalho e de ter alguma praticidade. Sabe refeições feitas apenas em uma panela? Sou apaixonada por elas! Não gosto muito de receitas, nem da precisão das colheres medidoras, balança e tals. Só que essas coisas são absolutamente necessárias para alcançar a perfeição gastronômica. Mas se tem um quesito no qual eu compro a briga: é o C-H-O-C-O-L-A-T-E! Quem me conhece sabe que não sou mais a #chocolatra que um dia fui. Que estou mudada... Rs! Mas acho que já comi tanto e tantos tipos, que sei alguma coisa por aí. E se tem um prato que cozinhei mais do que qualquer outro na vida, esse prato é #brigadeiro. Você deve estar pensando que brigadeiro não é bem um prato e eu concordo. De fato não é. Mas um brigadeiro perfeito, pra mim, é capaz de melhorar o humor e deixar tudo mais alegre.

 

Orgulho: ponto fraco ou forte?

 

Então teve um dia que o Ursinho disse que queria só brigadeiro na festa dele. E eu, que estou pleiteando a posição de madrinha do coração deste pequeno troglodita, faria de tudo para satisfazer seu desejo. Só que a festa foi em conjunto com uma amiga dele e acabei responsável por fazer apenas a metade dos brigadeiros. Fazer brigadeiro cansa, sabe!? Então, a princípio achei ótimo dividir a tarefa! Escolhi o granulado de caramelo, pra combinar com o bolo do Ursinho e cuidei do brigadeiro para que ele tivesse aquela textura, que faz a gente fechar os olhos por um segundo. 

 

Até chegar na festa, não tinha passado pela minha cabeça questionar a qualidade ou a beleza dos docinhos que eu tinha feito com tanto carinho. Daí eu vi os docinhos concorrentes… Será que os meus estavam melhores? Será que eu conseguiria defender o título de “melhor brigadeiro” e poderia manter meu troféu? Sim, eu tenho um troféu que consiste de uma caixa de relógio de plástico, transparente e vermelha, com uma moeda de 50 centavos dentro. Ganhei do meu sobrinho do paladar apurado e posso dizer apenas que foi uma honra recebê-lo! 

Enfim, poderia dizer que não importava quem tinha feito o melhor brigadeiro, mas seria mentira! Ajudei a servir os brigadeiros e, assim que pude, experimentei um concorrente. Ufa! Eu tinha ganho. Mas ainda precisei me certificar e perguntei para vários convidados. RS! Na hora fiquei empolgada, mas depois fiquei com vergonha…

 

Competitividade Feminina = Vale a pena?

 

E aqui está a real intenção dessa história: Como funciona a competitividade feminina e até que ponto vale nos orgulhar dela - como os caras que competem e se realizam por serem melhores em algo? E onde começa a competição que mina nossa força coletiva, nosso “juntas somos mais fortes”? Eu penso que não sinto, ou não alimento, essa competitividade feminina do eu sou melhor do que você. Mas vivemos num mundo que aplaude esse tipo de comportamento e nos comparamos a todo instante. É irreal nos situarmos à margem desse sentimento.

 

Parei e fiz uma busca na minha trajetória. Percebi o quanto me afastei de pessoas assim. Pessoas que me faziam sentir mal comigo mesma para que elas pudessem se sentir melhores. Que não estavam prontas para trocar sentimentos e vivências de igual para igual, sem agirem como se tivessem a resposta para tudo.  (Parênteses) Aqui estou falando alto, para me ouvir também, porque por mais que queiramos ajudar alguém nem sempre essa pessoa está no mesmo ponto e muitas vezes apenas nós mesmas somos capazes de mudar algo em nossas vidas… Pensei na minha própria competitividade, através do meu gosto pelos esportes. Uma paixão que só cresceu em mim quando descobri a corrida e aprendi a desafiar a mim mesma, dia após dia. Que depois migrou para a prática do yoga e reforçou essa competitividade interna, mas me lembrando sempre de seguir o meu ritmo. E que me passa cada rasteira doida toda vez que começo a me orgulhar muito da forma e me esqueço do conteúdo.

 

Acho que minha competitividade “brigadeirística” no fundo era uma disputa contra mim mesma. Ao invés de questionar se meu brigadeiro era melhor do que o outro, entendi que devia ter me desafiado a fazer um brigadeiro tão bom quanto o meu melhor brigadeiro. Que é maravilhoso - modéstia a parte! Rs! Mantendo a competitividade num lugar saudável reforçamos a autoconfiança em nossas próprias qualidades, no nosso potencial. Acredito que podemos aprender muito com o lado Yang da moeda, uma vez que competição também nos faz melhorar e às vezes até batalhar mais para conquistar algo. Pra mim é um aprendizado e tanto entender que posso, quero e devo me orgulhar das coisas em que sou boa. Fiquemos atentas apenas para fazer isso sem perder a ternura, jamais.

 

 

 

 

 

 

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